quarta-feira, 6 maio, 2026
O Coerente
  • Inicial
  • Sergipe
  • Brasil
  • Mundo
  • Notícias
    • Coluna
    • Política
    • Economia
    • Educação
    • Ciência e Tecnologia
    • Saúde
    • Esporte
    • Entretenimento
  • Oportunidades
  • Assinatura
No Result
View All Result
  • Inicial
  • Sergipe
  • Brasil
  • Mundo
  • Notícias
    • Coluna
    • Política
    • Economia
    • Educação
    • Ciência e Tecnologia
    • Saúde
    • Esporte
    • Entretenimento
  • Oportunidades
  • Assinatura
No Result
View All Result
O Coerente
No Result
View All Result

Análise do Capítulo “Da Objetividade do Economista” em A Pré-Revolução Brasileira, de Celso Furtado

by Redação
05/05/2026
in Destaques, Educação
Análise do Capítulo “Da Objetividade do Economista” em A Pré-Revolução Brasileira, de Celso Furtado
Share on FacebookShare on Twitter

O presente texto constitui uma interpretação do capítulo seis, intitulado “Da Objetividade do Economista”, da obra A Pré-Revolução Brasileira, de Celso Furtado. A análise busca extrair as implicações metodológicas e políticas da tese furtadiana para a formulação de uma economia política adequada ao contexto brasileiro.

A objetividade como problema de contexto e de princípios
Furtado sustenta que a objetividade em economia não corresponde à neutralidade axiológica emprestada das ciências físicas. O fenômeno econômico só pode ser captado dentro de seu contexto histórico e social. Para situá-lo, são necessários juízos de valor que pressupõem a aceitação de princípios de convivência social. Quando há acordo sobre esses princípios, é possível estabelecer critérios de racionalidade e inferir tendências do comportamento de variáveis econômicas relevantes. Em sociedades heterogêneas e em rápida transformação, como o Brasil, esse acordo é mais difícil, o que impõe limites à transposição de modelos analíticos.

A não universalidade dos modelos elaborados em economias desenvolvidas
O capítulo examina o postulado de estabilidade defendido por economistas do Fundo Monetário Internacional. Em estruturas desenvolvidas, estabilidade implica pleno emprego dos fatores e utilização máxima da capacidade produtiva. Nessa situação, conter a pressão inflacionária significa manter a taxa de crescimento no nível mais alto compatível com o sistema.

Aplicado a uma economia subdesenvolvida, o mesmo postulado altera-se qualitativamente. Ausente o pleno emprego estrutural da mão-de-obra, a estabilidade converte-se em problema estrito de nível de preços. A manutenção da estabilidade, sem políticas complementares, pode resultar em subutilização permanente da capacidade produtiva. O custo social da estabilidade pode superar o da inflação. Dessa forma, transformar a estabilidade de meio em fim equivale a postular, ainda que implicitamente, a imutabilidade na distribuição da renda. A objetividade das recomendações, portanto, varia conforme os princípios de convivência social aceitos.

O problema do capital estrangeiro e da tecnologia
Em economias desenvolvidas, alcançado o pleno emprego, somente um influxo de capital externo poderia elevar a taxa de investimento sem perda de eficiência média. Para o caso brasileiro, a aplicação desse modelo apresenta insuficiências. Depender de fluxo continuado de capital externo implica criar um fluxo permanente de renda para o exterior. Na etapa atual, o investidor estrangeiro típico tende a estimular novos padrões de consumo de média e alta rendas, reduzindo a poupança interna e pressionando o balanço de pagamentos.

Por outro lado, a recusa integral ao capital estrangeiro desconsidera que parcela significativa da tecnologia moderna é gerada em centros externos e tem custo elevado de acesso. Parte dessa tecnologia só mantém eficiência se permanece vinculada aos centros de pesquisa de origem. Assim, a disciplina da entrada de capitais estrangeiros é condição para que sua contribuição se concentre em setores de tecnologia menos acessível, sem comprometer a capacidade futura de importar equipamentos.

Investimento público e eficiência estrutural
Furtado indica que o problema central do subdesenvolvimento não é o volume de investimento, mas sua orientação. Em regiões de baixa renda, a lógica do laissez-faire conduz à alocação de recursos em ativos não reprodutivos ou à sua exportação, sem alteração estrutural. A ruptura desse padrão exige ação do poder público, inicialmente concentrada em investimentos de infraestrutura, para os quais a iniciativa privada apresenta limitações, e posteriormente na criação de estímulos para a reorientação do investimento privado.

A eficiência dos investimentos públicos depende de disciplina e de análise das tendências e potencialidades da economia nacional. A ausência de critérios objetivos para orientar o investimento estatal reduz a eficiência do sistema. Por isso, a formulação de programas de longo prazo para os investimentos infraestruturais é condição para elevar a eficiência da iniciativa privada, que opera com expectativas formadas em ambiente institucional mais previsível.

Implicações metodológicas para a universidade e para a pesquisa
O capítulo aponta a necessidade de revisão do ensino de teoria dos investimentos nas universidades. A aceitação tácita do laissez-faire tem sido prejudicial, sobretudo ao não enfrentar o problema dos critérios de orientação do investimento público. Sem esforço sistemático de pesquisa, a interpretação dos processos sociais permanece dependente de elaborações individuais. A objetividade da ciência econômica aumenta na medida em que os princípios básicos de convivência social são explicitados e debatidos.

A construção desses princípios não é tarefa exclusiva da economia. Demanda a mobilização da ciência política, da sociologia e demais disciplinas sociais. A formulação de uma doutrina do desenvolvimento nacional requer discussão aberta, capaz de aglutinar o esforço dos pesquisadores e de orientar a ação pública.

Conclusão
A análise do capítulo “Da Objetividade do Economista” evidencia três exigências para o pensamento econômico brasileiro: primeiro, reconhecer que a transposição de modelos de economias homogêneas implica perda de racionalidade quando desconsidera a especificidade estrutural; segundo, disciplinar o investimento público e a entrada de capital estrangeiro a partir de critérios explícitos, compatíveis com os objetivos nacionais de desenvolvimento; terceiro, reformular o método de ensino e pesquisa nas universidades, de modo a explicitar princípios e reduzir a dependência de formulações individuais.

O objetivo último, conforme Furtado, é criar condições para o aperfeiçoamento do homem como ser social. Em países subdesenvolvidos, a dimensão econômica assume urgência, mas não pode subordinar os demais aspectos da convivência social. A objetividade do economista inicia-se, portanto, com a explicitação de seus juízos de valor e completa-se com a capacidade da sociedade de transformá-los em projeto coletivo.

Antônio Porfírio de Matos Neto
Filósofo, Administrador, Economista, Cientista Político e Direito
Pós-graduado em Gestão Municipal, Mestre em Economia, Doutorando em Filosofia
Professor da Universidade Federal de Sergipe
Disciplina: Fundamentos da Economia

Spread the love
Previous Post

Sergipe atinge marca histórica com mais de 358 mil passageiros no aeroporto durante o primeiro trimestre

Next Post

Após solicitação de Alex Melo, SMTT coloca faixa de pedestre em avenida movimentada no Bairro Luzia

Next Post
Após solicitação de Alex Melo, SMTT coloca faixa de pedestre em avenida movimentada no Bairro Luzia

Após solicitação de Alex Melo, SMTT coloca faixa de pedestre em avenida movimentada no Bairro Luzia

O Coerente

© 2020 O Coerente

No Result
View All Result
  • Inicial
  • Sergipe
  • Brasil
  • Mundo
  • Notícias
    • Coluna
    • Política
    • Economia
    • Educação
    • Ciência e Tecnologia
    • Saúde
    • Esporte
    • Entretenimento
  • Oportunidades
  • Assinatura

© 2020 O Coerente

Login to your account below

Forgotten Password?

Fill the forms bellow to register

All fields are required. Log In

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In