Parabenizo o artigo de Luiz Eduardo Costa por seu otimismo realista. O Brasil sempre sofreu consequências de economistas como Eugênio Gudin, Roberto Campos, Otávio Bulhões e Delfim Netto, que foram guiados por um sentimento colonial de inferioridade diante das potências hegemônicas e um pessimismo em relação ao povo e à nação brasileira. Esses economistas, que já não estão mais entre nós, contribuíram para um processo de descontinuidade na nossa industrialização, devido às políticas monetaristas e de entreguismo adotadas, que priorizam os interesses dos banqueiros e perpetuam a nossa eterna vocação de mero exportador primário.
O grande problema é que, no passado, essas ideias de que o Brasil deveria se submeter às regras do jogo da economia global, defendidas pelos economistas já citados, acabaram por frear o nosso desenvolvimento. Eles visavam à integração parcial do Brasil na Divisão Internacional do Trabalho, mas de modo a obedecer às vantagens comparativas de David Ricardo, um economista clássico, com foco na exportação de produtos primários para adquirir divisas e pagar a dívida externa, perpetuando assim a dependência do país em relação aos credores internacionais e sufocando o crescimento econômico com taxas de juros elevadíssimas impostas pelo FMI. A única ruptura nessa trajetória foi a partir do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, com o economista Celso Furtado à frente, que elaborou o plano de metas junto com o BNDES. Furtado era um estudioso da CEPAL e refutava as ideias monetaristas, propondo uma abordagem mais autônoma e desenvolvimentista para o Brasil, inspirada na teoria keynesiana, que defende o papel do Estado como investidor e promotor do pleno emprego.
Economistas como Celso Furtado, Raúl Prebisch da Argentina e Carlos Maltos do Chile contribuíram para que o Brasil e a América Latina superassem a condição de meros exportadores primários, promovendo a industrialização e o desenvolvimento da região. São grandes pensadores que se contrapõem às ideias ortodoxas e retrógradas e que ajudaram a construir um pensamento crítico e estruturalista em economia, voltado para o desenvolvimento autônomo e sustentável da região. A turma da UNICAMP, com economistas heterodoxos como Luiz Gonzaga Belluzzo, João Manuel Cardoso de Mello e a saudosa Maria da Conceição Tavares, segue essa tradição, contribuindo para a discussão sobre o desenvolvimento econômico brasileiro e a crítica às políticas neoliberais que têm freado o nosso desenvolvimento.
Antônio Porfírio de Matos Neto
Economista e Mestre em Economia


