{"id":19381,"date":"2026-05-05T10:36:28","date_gmt":"2026-05-05T13:36:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ocoerente.com.br\/se\/?p=19381"},"modified":"2026-05-05T10:36:30","modified_gmt":"2026-05-05T13:36:30","slug":"uma-analise-da-entrevista-de-celso-furtado-o-caos-na-capital-da-paraiba-apos-a-morte-de-joao-pessoa-1930","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocoerente.com.br\/se\/2026\/05\/05\/uma-analise-da-entrevista-de-celso-furtado-o-caos-na-capital-da-paraiba-apos-a-morte-de-joao-pessoa-1930\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise da entrevista de Celso Furtado: o caos na capital da Para\u00edba ap\u00f3s a morte de Jo\u00e3o Pessoa (1930)"},"content":{"rendered":"\n<p>Em abril de 1999, em entrevista a uma revista de circula\u00e7\u00e3o nacional, Celso Furtado narrou o epis\u00f3dio da morte de Jo\u00e3o Pessoa na Para\u00edba. Era um fato que marcou sua inf\u00e2ncia e estruturou seu pensamento: o caos na capital ap\u00f3s o assassinato do governador, em 26 de julho de 1930.<\/p>\n\n\n\n<p>Com apenas 10 anos, Furtado viu o luto pol\u00edtico virar culto e viol\u00eancia. Contou que adeptos de Jo\u00e3o Pessoa tomavam as ruas em prociss\u00e3o, carregando fotografias do governador morto como imagens sacras. A cidade mergulhou numa histeria coletiva que se converteu em terror. Essa como\u00e7\u00e3o instigava a persegui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de todos os advers\u00e1rios ligados a Jo\u00e3o Dantas, num clima de intoler\u00e2ncia generalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio era de trag\u00e9dia social. Furtado presenciou inc\u00eandios, neg\u00f3cios destru\u00eddos, pessoas apedrejadas e mortas. O medo dominava as ruas. A viol\u00eancia foi tamanha que sua fam\u00edlia precisou deixar a casa pr\u00f3xima ao Pal\u00e1cio e se refugiar na casa da av\u00f3, em \u00e1rea mais segura, para escapar da convuls\u00e3o que dominava a capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele terror foi o pren\u00fancio da Revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1930, que levou Get\u00falio Vargas ao poder. O assassinato de Jo\u00e3o Pessoa acirrou as tens\u00f5es nacionais e tornou-se o estopim simb\u00f3lico da ruptura com a Rep\u00fablica Velha.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Forma\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Brasil, Furtado exp\u00f5e que o caos social no Nordeste, como o de 1930, resulta da concentra\u00e7\u00e3o de renda e da depend\u00eancia extrema. Quando a estrutura \u00e9 desigual e dependente, o conflito pol\u00edtico explode em viol\u00eancia. O epis\u00f3dio da Para\u00edba revela que a cultura, longe de ser apenas reflexo da economia, \u00e9 tamb\u00e9m caminho para compreender e superar as crises econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender o Brasil \u00e9 encarar tanto seus surtos de histeria quanto as estruturas que os produzem. Economia n\u00e3o se separa da cultura nem da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio Porf\u00edrio de Matos Neto<br>Administrador, Economista, Mestre em Economia, Cientista Pol\u00edtico e Fil\u00f3sofo<br>Professor da Universidade Federal de Sergipe<br>Disciplina: Fundamentos da Economia<br>Membro da ABLAC &#8211; Academia Brasileira do Canga\u00e7o<br>Patrono da Cadeira: Celso Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em abril de 1999, em entrevista a uma revista de circula\u00e7\u00e3o nacional, Celso Furtado narrou o epis\u00f3dio da morte de Jo\u00e3o Pessoa na Para\u00edba. 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