O aumento recente no preço dos combustíveis tem exposto, mais uma vez, uma combinação preocupante de oportunismo econômico e omissão institucional. Em Sergipe, consumidores vêm sendo penalizados por reajustes que, na prática, ultrapassam qualquer justificativa razoável, mesmo diante de um cenário internacional delicado, como a escalada de tensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
É evidente que conflitos geopolíticos podem impactar o mercado global de petróleo. No entanto, o que se observa nos postos e distribuidoras brasileiras – especialmente em Sergipe – vai além de repasse de custos: trata-se de prática abusiva. A velocidade e a intensidade dos aumentos não acompanham, na mesma proporção, as oscilações internacionais, levantando suspeitas claras de especulação e aproveitamento indevido de um momento de crise.
Enquanto isso, órgãos que deveriam atuar com firmeza parecem limitar sua atuação. O Procon em Sergipe tem se restringido, majoritariamente, à divulgação de pesquisas de preços – uma medida importante, mas claramente insuficiente diante de indícios de abusividade. Falta ação concreta: fiscalização rigorosa, autuações, aplicação de multas e, principalmente, medidas que obriguem a redução dos valores quando comprovadas irregularidades. A atuação meramente educativa, nesse contexto, pouco ou nada resolve para o consumidor que segue pagando caro.
Em contraste, o Governo Federal já iniciou fiscalizações mais amplas, com mais de 1,1 mil postos vistoriados em todo o país. A iniciativa demonstra que há caminhos possíveis quando existe vontade política de enfrentar distorções no mercado.
Outro ponto que agrava ainda mais a situação é a postura de governadores que resistem em reduzir o ICMS sobre combustíveis. Mesmo com o governo federal tendo zerado tributos federais como forma de aliviar o bolso da população, estados continuam mantendo cargas elevadas. A exceção, até agora, vem do Piauí, cujo governo sinalizou redução do imposto. Já unidades mais ricas, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná, optaram por não seguir o mesmo caminho – uma decisão que levanta questionamentos sobre prioridades e sensibilidade social.
No fim da cadeia, quem paga a conta é sempre o consumidor. O aumento dos combustíveis impacta diretamente o preço dos alimentos, do transporte e de praticamente todos os serviços. Trata-se de um efeito cascata que aprofunda desigualdades e pressiona, sobretudo, as famílias de baixa renda.
Também chama atenção o comportamento de setores políticos e sociais que, por alinhamento ideológico, chegam a apoiar ou minimizar conflitos internacionais, ignorando seus efeitos concretos no dia a dia da população. Ao aplaudir ações militares envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, essas vozes desconsideram que guerras elevam o preço do petróleo, pressionam a inflação global e agravam o custo de vida. O viés político, nesse caso, parece se sobrepor ao impacto real sentido por milhões de brasileiros.
Diante desse cenário, fica evidente a necessidade de uma resposta mais firme e coordenada. Combater abusos no preço dos combustíveis não é apenas uma questão econômica, é uma obrigação institucional e um compromisso com a dignidade da população.
Por Redação
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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