O umbuzeiro (Spondias tuberosa) é uma planta nativa da caatinga, o único bioma do mundo localizado no sertão nordestino. Ele é uma fonte de alimento para muitas pessoas e animais há séculos. Os povos originários da região já utilizavam os benefícios do umbuzeiro muito antes da invasão dos europeus.
O umbu é um fruto delicioso e versátil, que pode ser consumido in natura ou utilizado em diversas receitas, como a umbusada, uma bebida refrescante e nutritiva feita com o fruto maduro ou verde, água quente e leite. A umbusada é um símbolo da hospitalidade sertaneja, oferecida aos visitantes como um gesto de boas-vindas e amizade.
Para fazer a umbusada, é necessário ferver o umbu maduro ou verde em água quente até que a polpa se solte. Em seguida, passa-se a mistura por uma arupemba, uma espécie de peneira artesanal feita de palha, para separar os caroços da polpa. Depois, adiciona-se leite aos poucos, mexendo até obter uma bebida cremosa e deliciosa.
O umbuzeiro é também uma árvore de grande importância ecológica, pois suas raízes profundas permitem que ela sobreviva às longas estiagens do sertão. Além disso, suas folhas são capazes de absorver a umidade do ar, fornecendo água para a planta, e são uma fonte de alimento para os animais que dela dependem.
Mas o umbuzeiro é mais do que apenas uma planta ou um alimento; é um símbolo do sertão nordestino, uma testemunha da história e da cultura da região. Ele foi amigo dos cangaceiros, das volantes, dos sertanejos, dos ricos e dos pobres, e não rejeitou ninguém. Presenciou os embates entre a volante e os cangaceiros, e resistiu. É um alvo que acolheu todos, e ainda acolhe, e ainda abraça, protegendo do calor escaldante do sertão.
Para mim, o umbuzeiro tem um significado especial. A umbusada feita pela minha mãe é uma lembrança que me traz nostalgia e alegria, um sabor que me lembra da minha infância e da minha terra natal. É um símbolo da minha identidade e da minha conexão com o sertão nordestino.
Em resumo, o umbuzeiro é uma árvore sagrada do sertão, um símbolo da resistência e da hospitalidade do povo nordestino. É um tesouro natural e cultural que deve ser preservado e valorizado para as gerações futuras.
Antônio Porfirio de Matos Neto
Graduação em Direito, Filosofia, Economia, Administração e Ciência Política
Graduando em História
Pós-graduação em Gestão Municipal
Pós-graduando em Gestão Pública
Mestre em Economia
Doutorando em Filosofia


