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Rasgadinho entra na mira do MP: reunião com músicos pode abrir investigação sobre emendas municipais

by Redação
22/02/2026
in Destaques, Entretenimento
Rasgadinho entra na mira do MP: reunião com músicos pode abrir investigação sobre emendas municipais
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O Carnaval 2026 em Sergipe, que deveria ser marcado pela alegria e valorização da cultura local, tornou-se palco de uma das maiores polêmicas recentes do setor cultural. O bloco Rasgadinho, um dos mais tradicionais do estado, enfrenta duras críticas após cancelar, em cima da hora, apresentações de artistas sergipanos já contratados, provocando prejuízos financeiros, indignação no meio artístico e questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos envolvidos no evento.

Entre os artistas prejudicados está o cantor Mikael Santos, que divulgou nota oficial afirmando ter sido surpreendido com o cancelamento do show marcado para as 17h. Segundo ele, toda a documentação exigida pela produção foi entregue dentro do prazo e em conformidade com as exigências. O artista destacou ainda que priorizou Aracaju, mesmo tendo convites para se apresentar em outras cidades na mesma data.

“Estávamos com equipe, estrutura e logística totalmente prontas para subir ao palco, com o profissionalismo e dedicação de sempre”, afirmou.

O cantor Ygor Raniere também teve sua apresentação cancelada e lamentou, nas redes sociais, não poder encontrar o público. Além deles, os grupos Art Mania e Jam a Karreta igualmente relataram o cancelamento, ampliando o clima de frustração, revolta e insegurança entre os artistas da terra.

Músicos relatam que os cancelamentos ocorreram poucas horas antes das apresentações, quando toda a estrutura já estava pronta, equipes técnicas contratadas e deslocamentos realizados. Além das perdas financeiras, os profissionais afirmam ter sofrido desgaste emocional e profissional, já que muitos recusaram outros trabalhos para cumprir os compromissos assumidos com o bloco.

A justificativa apresentada pelo diretor do Rasgadinho, Robson Viana, foi a não liberação de emendas parlamentares que seriam utilizadas para o pagamento dos cachês. A explicação, no entanto, gerou ainda mais revolta ao vir à tona que atrações de fora do estado tiveram seus contratos mantidos, levantando suspeitas sobre critérios de escolha, priorização de recursos e possível favorecimento.

O caso ocorre em meio à suspensão nacional das emendas parlamentares, determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em razão da falta de transparência na aplicação desses recursos. A decisão reforçou a necessidade de maior controle e rastreabilidade do dinheiro público, especialmente quando destinado a eventos culturais.

Apesar disso, há informações de que o Rasgadinho também recebeu emendas parlamentares municipais, enviadas por vereadores de Aracaju. Até o momento, porém, não foram divulgados quais parlamentares destinaram recursos ao bloco, tampouco os valores repassados.

Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público de Sergipe (MP-SE) agendou uma reunião para esta quinta-feira (19), às 11h, em sua sede, com representantes do meio artístico. O encontro será conduzido pelo promotor de Justiça Rômulo Lins Alves, e contará com a presença do músico Tônico Saraiva, presidente do Sindicato dos Músicos de Sergipe (Sindimuse) e da Federação dos Músicos do Brasil (FMB), além de outras lideranças culturais. O objetivo é ouvir os relatos, apurar possíveis irregularidades e discutir medidas para proteger os direitos dos artistas.

O episódio também reacende uma denúncia feita pelo Sindimuse há poucos anos, quando o sindicato alertou para a existência de uma suposta “máfia dos shows” em Sergipe, envolvendo empresários, artistas de fora do estado e agentes políticos. Segundo a denúncia, haveria um esquema de favorecimento sistemático a atrações nacionais, com concentração de contratos e exclusão recorrente dos músicos locais, mesmo em eventos financiados com dinheiro público.

Para representantes dos trabalhadores da música, a atual crise do Rasgadinho parece confirmar que o problema persiste.

“Quando falta recurso ou surge qualquer instabilidade, os primeiros a serem descartados são sempre os artistas da terra. Isso não é coincidência, é um padrão”, afirma Tonico Saraiva, presidente do Sindicato dos Músicos de Sergipe e da Federação dos Músicos do Brasil.

“É importante lembrar que, nas piores fases do Rasgadinho, quando quase não havia verba para realizar o evento, foram justamente os músicos sergipanos que seguraram a festa, mantendo o bloco vivo. Agora, depois que o evento cresceu, ganhou patrocínio e visibilidade, esses mesmos artistas começam a ser deixados de lado, sem o devido prestígio e reconhecimento”, acrescenta Tonico.

Diante desse cenário, cresce a pressão popular por respostas objetivas e transparência plena: quais foram exatamente os critérios utilizados pelos vereadores para destinar emendas parlamentares ao Rasgadinho? Houve algum tipo de favorecimento na escolha do bloco? Esses repasses passaram por acordos políticos com o organizador Robson Viana, que é pré-candidato a deputado estadual em 2026? Quem são, nominalmente, os vereadores que enviaram recursos públicos para o evento e quais valores cada um destinou? A sociedade cobra a divulgação imediata dessas informações e exige transparência total.

Nesse contexto, recai sobre o Ministério Público a responsabilidade institucional de agir como fiscalizador rigoroso das leis e do erário público, chamando o feito à ordem e conduzindo uma investigação profunda, independente e transparente sobre toda a movimentação financeira do Rasgadinho, especialmente no que diz respeito às emendas municipais. A expectativa é de que cada centavo seja rastreado, cada repasse esclarecido e cada eventual irregularidade apurada, garantindo não apenas justiça aos artistas prejudicados, mas também respeito absoluto ao dinheiro da população.


Por Redação
Foto: Divulgação

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