Por Professor Leonardo Lisboa
Quem acompanha meus escritos e comentários políticos ao longo dos anos sabe que não tenho por hábito personalizar debates nem confrontar análises alheias. Faço isso tanto por respeito aos colegas comentaristas quanto por compreender que, na ciência política, é natural — e até saudável — que existam interpretações distintas sobre os mesmos fatos.
Dito isso, apresento aqui a minha leitura da conjuntura atual, tendo como ponto de partida a declaração do jornalista político Daniel Rezende, que afirmou na semana passada que Ricardo Marques, atual vice-prefeito de Aracaju, seria uma “carta fora do baralho”.
Proponho examinar essa afirmação à luz da lógica aristotélica: se é verdadeira a premissa de que Ricardo Marques está fora do jogo, como explicar, então, sua alta popularidade? Como compreender o surgimento recorrente de seu nome em pesquisas espontâneas para diferentes cargos? E, sobretudo, como justificar o assédio político de distintos grupos que desejam tê-lo em suas fileiras?
Sob esse prisma, a fala de Daniel Rezende revela-se, no mínimo, altamente questionável do ponto de vista estratégico e político. Engana-se quem exclui Ricardo Marques do tabuleiro de 2026 e de 2028. Longe de ser uma carta descartável, o atual vice-prefeito se apresenta hoje como um verdadeiro coringa: uma peça rara, desejada, competitiva — capaz de desequilibrar ou reequilibrar forças conforme o campo em que venha a se posicionar.
Não se trata aqui de análise tirada da cartola, mas da observação atenta do que está visível — e, principalmente, do que ocorre nos bastidores. A tradicional máquina de moer reputações já entrou em funcionamento. Multiplicam-se perfis anônimos e ataques coordenados, comentários maliciosos que se retroalimentam em redes sociais. Fenômeno conhecido: quando um nome cresce, incomoda.
O destaque e o brilho político de Ricardo Marques não surgiram por acaso. Ele foi peça central na vitória da chapa que conquistou a eleição de 2024 — e não é apenas esta voz que o afirma, mas praticamente todos os jornalistas e analistas políticos do estado.
A rigor, o calendário político de 2026 já começou a ser escrito. Ricardo Marques enfrenta hoje uma encruzilhada estratégica: opções não lhe faltam. Seu passe está valorizado — e os atores relevantes do jogo sabem disso muito bem. Negar essa realidade é fechar os olhos para os fatos ou sucumbir a sentimentos que, no campo da política, costumam atender pelos nomes de temor ou ressentimento.
Aos conselheiros e estrategistas de ocasião, deixo uma recomendação simples: afastem vaidades, abandonem projetos pessoais disfarçados de análises técnicas e encarem a realidade que se impõe diante dos olhos.
Ricardo Marques não está fora do baralho. É em verdade, neste momento, uma das cartas mais disputadas da mesa.

Jornalista pós-graduado em Comunicação.


